Ligar Portugal
Por causa do post anterior a esse eu acabei tendo curiosidade de saber mais sobre o programa " Ligar Portugal". Eu encontei um página com todo o programa. Inclusive com a possibidade de fazer o download do documento em pdf
Abaixo estão os principais objetivos estratégicos do programa.
A iniciativa Ligar Portugal é um dos vectores estratégicos do Plano Tecnológico do XVII governo, alargando o âmbito de intervenção do Estado na mobilização da Sociedade de Informação, direccionando o esforço público e privado para consolidar ou reforçar iniciativas em curso, preencher lacunas, e promover a inovação e a criação de novos produtos e serviços, de modo a assegurar os seguintes objectivos:
• Promover uma cidadania moderna, informada, consciente e actuante, para a qual o uso das TIC é um instrumento normal de acesso à informação, à educação, ao trabalho cooperativo, e à discussão pública;
• Garantir a competitividade do mercado nacional de telecomunicações, em especial no que se refere aos seus custos para os cidadãos e empresas, e à disponibilização generalizada de serviços avançados de qualidade, assegurando a existência de condições efectivas de concorrência ao nível das melhores práticas europeias;
• Assegurar a transparência da Administração Pública em todos os seus actos, e a simplicidade e eficiência das suas relações com cidadãos e empresas;
• Promover a utilização crescente das TIC pelo tecido empresarial, apoiando as empresas na sua modernização, enquanto condição indispensável à sua competitividade internacional, assim como assegurar o desenvolvimento de novas empresas de base tecnológica, nomeadamente de software;
• Estimular o desenvolvimento científico e tecnológico, promovendo actividades de Investigação e desenvolvimento em colaboração internacional.
Terça-feira, Janeiro 31, 2006
Em portugal as escolas têm banda larga
Termina nesta semana o processo de implementação de Internet banda larga em todas as escolas públicas de Portugal.O processo de implementação teve início em 1997.
A notícia não dá detalhes, mas achei interessante postar essa informação aqui para que tenhamos uma idéia, mesmo que não completa, de quanto tempo levou para um país, do tamanho de portugal, colocar internet em suas escolas. Nove anos!
Outro detalhe desta informação é que este projeto não é algo isolado. Ele está dentro de uma estratégia maior chamada de "liga Portugal", Programa Nacional para a Sociedade da Informação.Vários outros paises da Europa têm programas semelhantes que olham para o país como um todo e definem várias metas estratégias, integradas para o país como um todo.
O que temos a aprender com tudo isso? pois, pois...
A notícia não dá detalhes, mas achei interessante postar essa informação aqui para que tenhamos uma idéia, mesmo que não completa, de quanto tempo levou para um país, do tamanho de portugal, colocar internet em suas escolas. Nove anos!
Outro detalhe desta informação é que este projeto não é algo isolado. Ele está dentro de uma estratégia maior chamada de "liga Portugal", Programa Nacional para a Sociedade da Informação.Vários outros paises da Europa têm programas semelhantes que olham para o país como um todo e definem várias metas estratégias, integradas para o país como um todo.
O que temos a aprender com tudo isso? pois, pois...
Domingo, Janeiro 29, 2006
Medo e liberdade na internet
Jornal O Globo - Medo e liberdade na internet
Amigos,
Vejam como são as coisas. Ainda nao se passou nem uma semana do meu post falando de como os Blogs poderiam ter um papel importante nas eleições brasileiras desse ano. E que é que eu leio nesse artigo do Peter Senger, no Jornal O Globo?
Primeiro ficamos sabendo de como o Google se submeteu ao governo chines e retirou alguns resultados da sua busca, agora lemos abaixo que a Microsoft tirou do ar um blog de um chines do seu MSN Spaces também a pedido do governo da China, porque o conteúdo publicado não agradou ao governo.
Vejam como a política e o mercado estarão sempre dando as cartas. É interessante ver essas atitudes de duas empresas americanas que são responsáveis, em grande parte, pela popularidade do uso da Internet ( Eu estou digitando este post em um computador com windows e Internet explorer da microsoft e postando no blogger do Google).
Enquanto o mercado fala de liberdade de expressão, nada como uma ameaça aos lucros para apagar qualquer discurso (supostamente) democrático.
abraço
romulo
Medo e liberdade na internet
PETER SINGER
Soube-se no início deste mês que, a pedido do governo da China, a Microsoft fechou o website de um blogger chinês que era mantido por um serviço da empresa chamado MSN Spaces. O blogger , Zhao Jing, falava de uma greve de jornalistas no jornal “Beijing News” depois da demissão do seu editor, de temperamento independente.
A medida da Microsoft levanta uma questão-chave: a internet pode realmente ser uma força a favor da liberdade, que governos repressores não podem controlar tão facilmente como controlam jornais, rádio e televisão? Ironicamente, o fundador e presidente da Microsoft, Bill Gates, é um defensor entusiástico desta visão. Ainda em outubro último disse que “não há maneira de, em termos gerais, reprimir a informação hoje em dia, e acho que esse é um progresso maravilhoso, que deve animar a todos... Esta é uma mídia de total abertura e total liberdade, e é isso que a torna tão especial.”
E, no entanto, a Microsoft está ajudando as autoridades chinesas a reprimir informações. Uma porta-voz da empresa disse que a Microsoft bloqueou “muitos sites” na China, e já se sabe há meses que a ferramenta de blogs na China filtra palavras como “democracia” e “direitos humanos” em títulos de blog.
(continua...click no título deste post ou no link acima)
Amigos,
Vejam como são as coisas. Ainda nao se passou nem uma semana do meu post falando de como os Blogs poderiam ter um papel importante nas eleições brasileiras desse ano. E que é que eu leio nesse artigo do Peter Senger, no Jornal O Globo?
Primeiro ficamos sabendo de como o Google se submeteu ao governo chines e retirou alguns resultados da sua busca, agora lemos abaixo que a Microsoft tirou do ar um blog de um chines do seu MSN Spaces também a pedido do governo da China, porque o conteúdo publicado não agradou ao governo.
Vejam como a política e o mercado estarão sempre dando as cartas. É interessante ver essas atitudes de duas empresas americanas que são responsáveis, em grande parte, pela popularidade do uso da Internet ( Eu estou digitando este post em um computador com windows e Internet explorer da microsoft e postando no blogger do Google).
Enquanto o mercado fala de liberdade de expressão, nada como uma ameaça aos lucros para apagar qualquer discurso (supostamente) democrático.
abraço
romulo
Medo e liberdade na internet
PETER SINGER
Soube-se no início deste mês que, a pedido do governo da China, a Microsoft fechou o website de um blogger chinês que era mantido por um serviço da empresa chamado MSN Spaces. O blogger , Zhao Jing, falava de uma greve de jornalistas no jornal “Beijing News” depois da demissão do seu editor, de temperamento independente.
A medida da Microsoft levanta uma questão-chave: a internet pode realmente ser uma força a favor da liberdade, que governos repressores não podem controlar tão facilmente como controlam jornais, rádio e televisão? Ironicamente, o fundador e presidente da Microsoft, Bill Gates, é um defensor entusiástico desta visão. Ainda em outubro último disse que “não há maneira de, em termos gerais, reprimir a informação hoje em dia, e acho que esse é um progresso maravilhoso, que deve animar a todos... Esta é uma mídia de total abertura e total liberdade, e é isso que a torna tão especial.”
E, no entanto, a Microsoft está ajudando as autoridades chinesas a reprimir informações. Uma porta-voz da empresa disse que a Microsoft bloqueou “muitos sites” na China, e já se sabe há meses que a ferramenta de blogs na China filtra palavras como “democracia” e “direitos humanos” em títulos de blog.
(continua...click no título deste post ou no link acima)
Cellphones bridge the digital divide
The Times of India
Amigos,
Essa notícia conta a história de uma pesquisa feita por um professor de Harvard na Índia, sobre o uso de celuar nas áreas rurais.
A materia conta dois casos interessantes. Um deles é de como a vida econônica de uma vila de pescadores foi mudada com o uso dos celulares.
Antes dos celulares os pescadores tinham que vender seus peixes em 12 pontos de venda ao longo da costa e nunca sabiam se o mercado ia absorver toda a quantidade pescada. O que geralmente acontecia é que em alguns pontos tinha mais peixe do que demanda e em outros mais demanda do que oferta de peixe. Os preços eram muito voláteis por causa disso e 6% da pescaria era perdida porque os pescadores perdiam tempo saindo de um ponto para outro o que acabava por estragar parte dos peixes.
Com os celulares os pescadores passaram a ligar pas os pontos de venda ainda dentro do mar. As negociações podiam ser feitas com diferentes compradores antes de chegar na praia. O resultado é que com a informação circulando melhor no mercado, os preços ficaram mais estáveis, os pescadores em alguns casos já chegavam na praia correta com a venda toda feita e o disperdício foi dramaticamente reduzido porque não vai menos descolamento entre as praias e os peixes eram vendidos ainda frescos.
Interessante, nao?
Amigos,
Essa notícia conta a história de uma pesquisa feita por um professor de Harvard na Índia, sobre o uso de celuar nas áreas rurais.
A materia conta dois casos interessantes. Um deles é de como a vida econônica de uma vila de pescadores foi mudada com o uso dos celulares.
Antes dos celulares os pescadores tinham que vender seus peixes em 12 pontos de venda ao longo da costa e nunca sabiam se o mercado ia absorver toda a quantidade pescada. O que geralmente acontecia é que em alguns pontos tinha mais peixe do que demanda e em outros mais demanda do que oferta de peixe. Os preços eram muito voláteis por causa disso e 6% da pescaria era perdida porque os pescadores perdiam tempo saindo de um ponto para outro o que acabava por estragar parte dos peixes.
Com os celulares os pescadores passaram a ligar pas os pontos de venda ainda dentro do mar. As negociações podiam ser feitas com diferentes compradores antes de chegar na praia. O resultado é que com a informação circulando melhor no mercado, os preços ficaram mais estáveis, os pescadores em alguns casos já chegavam na praia correta com a venda toda feita e o disperdício foi dramaticamente reduzido porque não vai menos descolamento entre as praias e os peixes eram vendidos ainda frescos.
Interessante, nao?
Sábado, Janeiro 28, 2006
Metade dos brasileiros nunca usou computador
Folha Online 24/11/2005
Amigos,
eu perdi essa notícia mas é importante colocá-la aqui para mostrar os números, muito embora estatística nao seja o forte no Brasil.
Os dados são da primeira pesquisa do Comitê Gestor da Internet (CGI).
Mais da metade dos brasileiros com idade superior a dez anos --55% deles-- nunca utilizou um computador. Quando a porcentagem refere-se ao uso da internet o valor fica ainda maior: 68% dessas pessoas nunca navegaram pela rede. As informações têm como base a primeira pesquisa do CGI (Comitê Gestor da Internet), referente a agosto e setembro deste ano, sobre a penetração e uso da web no Brasil.
Apesar de os dados apontarem um longo caminho para a concretização da inclusão digital, o número de internautas domiciliares no Brasil dobrou nos últimos cinco anos: foi de 5,1 milhões de usuários em setembro de 2000 para 11,96 milhões em setembro deste ano, segundo pesquisas do Ibope//NetRatings.Se também consideradas as pessoas que acessam a web do trabalho ou de telecentros, por exemplo, o número de brasileiros on-line chegou aos 32,1 milhões no terceiro trimestre de 2005.
O estudo do CGI também aponta que 16,6% dos brasileiros possuem computadores de mesa em suas casas, sendo que nem todas as máquinas permitem acesso à internet. O grupo que utiliza micros diariamente fica por volta de 13,8% dos brasileiros com mais de dez anos, enquanto 9,6% deles navegam pela web todos os dias. O Distrito Federal é a região com o maior número de computadores em casa --31% dos domicílios--, seguido pela região metropolitana de São Paulo (27%), de Curitiba (23%), do Rio de Janeiro (22%) e de Porto Alegre (21%). "Estes números estão diretamente relacionados à renda e taxa de escolaridade", diz Rogério Santanna, secretário de Logística e Tecnologia da Informação do Ministério do Planejamento.
A pior porcentagem divulgada refere-se à região metropolitana de Fortaleza, onde apenas 8% das residências têm micros. Ao considerar classes sociais, o estudo indica que 88,7% dos domicílios pertencentes à classe A são equipados com computadores. Já na classe B este valor cai para 55,5%, seguido por 16,1% da classe C e 2% das classes D/E.
Amigos,
eu perdi essa notícia mas é importante colocá-la aqui para mostrar os números, muito embora estatística nao seja o forte no Brasil.
Os dados são da primeira pesquisa do Comitê Gestor da Internet (CGI).
Mais da metade dos brasileiros com idade superior a dez anos --55% deles-- nunca utilizou um computador. Quando a porcentagem refere-se ao uso da internet o valor fica ainda maior: 68% dessas pessoas nunca navegaram pela rede. As informações têm como base a primeira pesquisa do CGI (Comitê Gestor da Internet), referente a agosto e setembro deste ano, sobre a penetração e uso da web no Brasil.
Apesar de os dados apontarem um longo caminho para a concretização da inclusão digital, o número de internautas domiciliares no Brasil dobrou nos últimos cinco anos: foi de 5,1 milhões de usuários em setembro de 2000 para 11,96 milhões em setembro deste ano, segundo pesquisas do Ibope//NetRatings.Se também consideradas as pessoas que acessam a web do trabalho ou de telecentros, por exemplo, o número de brasileiros on-line chegou aos 32,1 milhões no terceiro trimestre de 2005.
O estudo do CGI também aponta que 16,6% dos brasileiros possuem computadores de mesa em suas casas, sendo que nem todas as máquinas permitem acesso à internet. O grupo que utiliza micros diariamente fica por volta de 13,8% dos brasileiros com mais de dez anos, enquanto 9,6% deles navegam pela web todos os dias. O Distrito Federal é a região com o maior número de computadores em casa --31% dos domicílios--, seguido pela região metropolitana de São Paulo (27%), de Curitiba (23%), do Rio de Janeiro (22%) e de Porto Alegre (21%). "Estes números estão diretamente relacionados à renda e taxa de escolaridade", diz Rogério Santanna, secretário de Logística e Tecnologia da Informação do Ministério do Planejamento.
A pior porcentagem divulgada refere-se à região metropolitana de Fortaleza, onde apenas 8% das residências têm micros. Ao considerar classes sociais, o estudo indica que 88,7% dos domicílios pertencentes à classe A são equipados com computadores. Já na classe B este valor cai para 55,5%, seguido por 16,1% da classe C e 2% das classes D/E.
Terça-feira, Janeiro 24, 2006
Pobreza e acumulação global
Amigos,
O artigo abaixo vale a pena ser lido integralmente, por isso o transcrevo completamete da folha de São Paulo. Não é objetivo do artigo falar de exclusão digital, mas ele mostra a lógica do capitalismo contemporâneo ao levar produtos tecnológicos, entre outros, para as campadas mais pobres da população.
Pobreza e acumulação global
GILBERTO DUPAS Pobreza e concentração de renda não podem ser separadas da ordem mundial que as produz. Elas estão tanto na periferia como nos países ricos; nos EUA e na Grã-Bretanha a disparidade de renda é maior do que na Índia. Ao contrário do que pregam os neoliberais, a desigualdade prosperou enquanto avançava o livre comércio. Nos "anos dourados" do capitalismo (1950 a 1973), um crescimento médio de 5% ao ano era suficiente para garantir uma melhora na distribuição de renda entre os países e dentro deles. Isso acabou, inclusive durante o milagre asiático dos últimos 15 anos.
O capitalismo mais uma vez mostra capacidade de adaptação. E explora o que talvez seja sua última fronteira de acumulação
Esse quadro não é salutar para o capitalismo global, que exige mercados periféricos em expansão. Com rendas em queda, há necessidade de baixar preços; e as redes de varejo se aproximam cada vez mais das classes pobres do mundo, convertendo-as na nova fronteira de acumulação.O Wal-Mart, síntese emblemática desse modelo de alta tecnologia e baixos salários, já é loja de classe média; e redes superbarateiras estão transformando o cenário do varejo no mundo. A Save-A-Lot faz o maior sucesso nos EUA por atender aos mais pobres com produtos simplificados, um mercado que muitos ignoravam; ela tem 1.230 lojas em 39 Estados, preços baixos e marcas próprias e aumenta seu lucro operacional em 15% ao ano. Na Alemanha, o Aldi Group usa a mesma estratégia. No Brasil, além do próprio Wal-Mart -que agora reinicia sua escalada-, o dono das Casas Bahia já explicou o segredo do seu sucesso: crédito aos pobres que trabalham no informal e compram até 500 reais.
Utilizar sofisticada tecnologia e logística de ponta empregando pessoal muito mal remunerado é um dos principais fatores da alta taxa de acumulação de muitos setores do capitalismo global. O sistema depende cada vez mais de consumidores mantidos ávidos por novidades, ainda que cada vez mais pobres.O Brasil tem 81 milhões de jovens, 70% deles já com celular. O jovem pobre sem um celular, ainda que pré-pago, é induzido pela propaganda maciça e global a se sentir um pária infeliz, um "outgroup". Basta verificar a intensidade e o conteúdo das imensas campanhas publicitárias do produto na mídia local.Para cada criança brasileira da classe A, existem dez das D e E. O computador é o objeto de desejo principal dos 12 aos 14 anos. Dos 15 aos 20 anos, é o automóvel. Como bem poucos conseguem um carro, resolvem com um celular novo, o item seguinte na ordem dos desejos.
O mercado dos pobres também aparece com clareza nas sutis reduções de conteúdo de embalagens no setor de alimentos, mantendo tamanho e aparência anteriores. O nosso Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor aplicou multas a 34 empresas, em 2005, a maioria para grandes corporações globais, por "maquiarem" irregularmente seus produtos. No mais das vezes o procedimento é um mero estratagema para aumento "real" de preço, reduzindo o peso do produto.
A Nestlé descobriu que lata de leite condensado, em regiões pobres do Brasil, virou presente de aniversário. E diz ter como meta atrair os que ganham entre um e dois salários mínimos e gastam 25% do orçamento com alimentação.Grandes gurus internacionais em estratégia também estão atentos. Stuart Hart fala que não haverá futuro para o capitalismo nem para suas empresas sem incluir os bilhões de pobres; desembainha sua espada salvadora e conclama as elites a mirar os 4 bilhões da base da pirâmide, que vivem com menos de 1.500 dólares por ano e poderiam salvar o capitalismo.Como parece esquecer de que foi o sistema atual que desistiu de aumentar a renda do grosso da população, talvez também acredite no caminho de praticar a inclusão social via produtos tornados "mais baratos" com redução de peso nas embalagens ou por meio de latas especiais de leite condensado, vindas de fábrica com laços de fita para presente!
Um bom exemplo de inclusão dos miseráveis ao estilo Hart é a telefonia celular. Na África, em regiões sem água e sem iluminação, parte expressiva da população está sendo induzida pela propaganda a comprar celulares usados e pequenos créditos de minutos mensais.
Mesmo com a maioria dos africanos vivendo com menos de US$ 2 por dia, as operadoras já convenceram muitas dezenas de milhares deles que têm direito "ao progresso e à felicidade" do telefone móvel. Aldeões da serra do Congo improvisaram antenas de 15 metros em topos de árvore; e baterias de automóvel são carregadas em postos de gasolina por indivíduos que nunca terão um carro e cobram US$ 0,80 para dar energia a um celular.
Por essas e outras, o capitalismo global mostra mais uma vez sua imensa capacidade de adaptação. E consegue explorar aquela que talvez seja sua última fronteira de acumulação. Os pobres comerão ainda pior, mas estarão ligados ao mundo global em tempo real.
Gilberto Dupas, 62, é coordenador-geral do Gacint (Grupo de Análise da Conjuntura Internacional da USP) e presidente do Instituto de Estudos Econômicos e Internacionais. É autor, entre outros livros, de "Atores e Poderes na Nova Ordem Global" (Unesp).
O artigo abaixo vale a pena ser lido integralmente, por isso o transcrevo completamete da folha de São Paulo. Não é objetivo do artigo falar de exclusão digital, mas ele mostra a lógica do capitalismo contemporâneo ao levar produtos tecnológicos, entre outros, para as campadas mais pobres da população.
Pobreza e acumulação global
GILBERTO DUPAS Pobreza e concentração de renda não podem ser separadas da ordem mundial que as produz. Elas estão tanto na periferia como nos países ricos; nos EUA e na Grã-Bretanha a disparidade de renda é maior do que na Índia. Ao contrário do que pregam os neoliberais, a desigualdade prosperou enquanto avançava o livre comércio. Nos "anos dourados" do capitalismo (1950 a 1973), um crescimento médio de 5% ao ano era suficiente para garantir uma melhora na distribuição de renda entre os países e dentro deles. Isso acabou, inclusive durante o milagre asiático dos últimos 15 anos.
O capitalismo mais uma vez mostra capacidade de adaptação. E explora o que talvez seja sua última fronteira de acumulação
Esse quadro não é salutar para o capitalismo global, que exige mercados periféricos em expansão. Com rendas em queda, há necessidade de baixar preços; e as redes de varejo se aproximam cada vez mais das classes pobres do mundo, convertendo-as na nova fronteira de acumulação.O Wal-Mart, síntese emblemática desse modelo de alta tecnologia e baixos salários, já é loja de classe média; e redes superbarateiras estão transformando o cenário do varejo no mundo. A Save-A-Lot faz o maior sucesso nos EUA por atender aos mais pobres com produtos simplificados, um mercado que muitos ignoravam; ela tem 1.230 lojas em 39 Estados, preços baixos e marcas próprias e aumenta seu lucro operacional em 15% ao ano. Na Alemanha, o Aldi Group usa a mesma estratégia. No Brasil, além do próprio Wal-Mart -que agora reinicia sua escalada-, o dono das Casas Bahia já explicou o segredo do seu sucesso: crédito aos pobres que trabalham no informal e compram até 500 reais.
Utilizar sofisticada tecnologia e logística de ponta empregando pessoal muito mal remunerado é um dos principais fatores da alta taxa de acumulação de muitos setores do capitalismo global. O sistema depende cada vez mais de consumidores mantidos ávidos por novidades, ainda que cada vez mais pobres.O Brasil tem 81 milhões de jovens, 70% deles já com celular. O jovem pobre sem um celular, ainda que pré-pago, é induzido pela propaganda maciça e global a se sentir um pária infeliz, um "outgroup". Basta verificar a intensidade e o conteúdo das imensas campanhas publicitárias do produto na mídia local.Para cada criança brasileira da classe A, existem dez das D e E. O computador é o objeto de desejo principal dos 12 aos 14 anos. Dos 15 aos 20 anos, é o automóvel. Como bem poucos conseguem um carro, resolvem com um celular novo, o item seguinte na ordem dos desejos.
O mercado dos pobres também aparece com clareza nas sutis reduções de conteúdo de embalagens no setor de alimentos, mantendo tamanho e aparência anteriores. O nosso Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor aplicou multas a 34 empresas, em 2005, a maioria para grandes corporações globais, por "maquiarem" irregularmente seus produtos. No mais das vezes o procedimento é um mero estratagema para aumento "real" de preço, reduzindo o peso do produto.
A Nestlé descobriu que lata de leite condensado, em regiões pobres do Brasil, virou presente de aniversário. E diz ter como meta atrair os que ganham entre um e dois salários mínimos e gastam 25% do orçamento com alimentação.Grandes gurus internacionais em estratégia também estão atentos. Stuart Hart fala que não haverá futuro para o capitalismo nem para suas empresas sem incluir os bilhões de pobres; desembainha sua espada salvadora e conclama as elites a mirar os 4 bilhões da base da pirâmide, que vivem com menos de 1.500 dólares por ano e poderiam salvar o capitalismo.Como parece esquecer de que foi o sistema atual que desistiu de aumentar a renda do grosso da população, talvez também acredite no caminho de praticar a inclusão social via produtos tornados "mais baratos" com redução de peso nas embalagens ou por meio de latas especiais de leite condensado, vindas de fábrica com laços de fita para presente!
Um bom exemplo de inclusão dos miseráveis ao estilo Hart é a telefonia celular. Na África, em regiões sem água e sem iluminação, parte expressiva da população está sendo induzida pela propaganda a comprar celulares usados e pequenos créditos de minutos mensais.
Mesmo com a maioria dos africanos vivendo com menos de US$ 2 por dia, as operadoras já convenceram muitas dezenas de milhares deles que têm direito "ao progresso e à felicidade" do telefone móvel. Aldeões da serra do Congo improvisaram antenas de 15 metros em topos de árvore; e baterias de automóvel são carregadas em postos de gasolina por indivíduos que nunca terão um carro e cobram US$ 0,80 para dar energia a um celular.
Por essas e outras, o capitalismo global mostra mais uma vez sua imensa capacidade de adaptação. E consegue explorar aquela que talvez seja sua última fronteira de acumulação. Os pobres comerão ainda pior, mas estarão ligados ao mundo global em tempo real.
Gilberto Dupas, 62, é coordenador-geral do Gacint (Grupo de Análise da Conjuntura Internacional da USP) e presidente do Instituto de Estudos Econômicos e Internacionais. É autor, entre outros livros, de "Atores e Poderes na Nova Ordem Global" (Unesp).
Segunda-feira, Janeiro 23, 2006
Na rede metropolitana de Belém, 72% nunca acessaram a internet
Amigos,
continuando minha coleta de discursos, agora seleciono um discurso de queme está usando um dos programas de inclusao digital.
Nesta matéria, rica em informações, temos o resultado de uma pesquisa feita em Belém, onde a maioria da população metropolitana (72%) nunca navegou na web.
Abaixo eu destaco dois motivos citados por pessoas que participaram do projeto: Emprego e possibilidade de acesso a um computador acima das condições de renda.
Emprego - Com 22 anos idade, Alexandre Cristóvão Nascimento sabe a falta que faz a familiariedade com o mundo digital. Desempregado e com apenas o ensino fundamental, ele, que mora no bairro do Icuí-Guajará, perdeu a vaga em um emprego porque não sabe manusear um computador.“Eles pediam curso de informática. Não tinha no currículo. Fiquei sem a vaga”, lamenta. O jovem diz que já teve oportunidade de aprender a lidar com um PC, mas não se interessou. “Não achava importante. Mas hoje vejo que é fundamental. É muito difícil conseguir um trabalho sem esse conhecimento”.
Para a estudante Elissandra Lima, 20, somente o contato com a informática não é suficiente. A falta de dinheiro para a compra de um micro não permite que ela dê continuidade ao que aprendeu. “Fiz um curso há mais de três anos. Quase não tive mais contato com a informática. Se tivesse que mostrar algo que aprendi, não me sairia muito bem. Talvez jogar paciência”, brinca.
continuando minha coleta de discursos, agora seleciono um discurso de queme está usando um dos programas de inclusao digital.
Nesta matéria, rica em informações, temos o resultado de uma pesquisa feita em Belém, onde a maioria da população metropolitana (72%) nunca navegou na web.
Abaixo eu destaco dois motivos citados por pessoas que participaram do projeto: Emprego e possibilidade de acesso a um computador acima das condições de renda.
Emprego - Com 22 anos idade, Alexandre Cristóvão Nascimento sabe a falta que faz a familiariedade com o mundo digital. Desempregado e com apenas o ensino fundamental, ele, que mora no bairro do Icuí-Guajará, perdeu a vaga em um emprego porque não sabe manusear um computador.“Eles pediam curso de informática. Não tinha no currículo. Fiquei sem a vaga”, lamenta. O jovem diz que já teve oportunidade de aprender a lidar com um PC, mas não se interessou. “Não achava importante. Mas hoje vejo que é fundamental. É muito difícil conseguir um trabalho sem esse conhecimento”.
Para a estudante Elissandra Lima, 20, somente o contato com a informática não é suficiente. A falta de dinheiro para a compra de um micro não permite que ela dê continuidade ao que aprendeu. “Fiz um curso há mais de três anos. Quase não tive mais contato com a informática. Se tivesse que mostrar algo que aprendi, não me sairia muito bem. Talvez jogar paciência”, brinca.
Cafezal do Sul recebe computadores da Caixa
Essa notícia é mais uma das dezenas que aparecem todos os dias dando conta de algum órgão público ou privado fazendo doação de computadores para projetos de inclusão digital.
A partir de agora vou começar a acompanhar os discursos dos gestores ou patrocinadores desses projetos, tentando acompanhar quais as justificativas para as ações. Meu interesse é em levantar como é que está sendo construído socialmente a idéia de inclusão digital. Depois eu falo mais sobre isso. Por enquanto aqui vai a minha primeira frase, tirada da notícia acima, dita pelo prefeito da cidade de Cafezal do Sul:
Para o prefeito de Cafezal do Sul, Marco Antonio Bogas de Oliveira, "a parceria com a Caixa possibilita concretizar nosso propósito de reduzir o índice de exclusão social, traduzindo-se diretamente em melhora de condições de vida das pessoas, dando a elas o direito ao acesso à cidadania".
Vejam que no discurso existe uma associação direta entre o recebimento de computadores e a redução do índice de exclusão social. Não quero aqui fazer um juízo de valor (pelo menos por enquanto) da associação feita pelo prefeito. Nem do compromisso político com o projeto. O que quero é apenas pontuar o que legitima e o que justifica o projeto, segundo o prefeito, neste caso.
Depois voltamos a falar mais sobre isso.
abraço,
romulo
A partir de agora vou começar a acompanhar os discursos dos gestores ou patrocinadores desses projetos, tentando acompanhar quais as justificativas para as ações. Meu interesse é em levantar como é que está sendo construído socialmente a idéia de inclusão digital. Depois eu falo mais sobre isso. Por enquanto aqui vai a minha primeira frase, tirada da notícia acima, dita pelo prefeito da cidade de Cafezal do Sul:
Para o prefeito de Cafezal do Sul, Marco Antonio Bogas de Oliveira, "a parceria com a Caixa possibilita concretizar nosso propósito de reduzir o índice de exclusão social, traduzindo-se diretamente em melhora de condições de vida das pessoas, dando a elas o direito ao acesso à cidadania".
Vejam que no discurso existe uma associação direta entre o recebimento de computadores e a redução do índice de exclusão social. Não quero aqui fazer um juízo de valor (pelo menos por enquanto) da associação feita pelo prefeito. Nem do compromisso político com o projeto. O que quero é apenas pontuar o que legitima e o que justifica o projeto, segundo o prefeito, neste caso.
Depois voltamos a falar mais sobre isso.
abraço,
romulo
Quinta-feira, Janeiro 19, 2006
Fracassa programa de inclusão digital do governo federal
amigos,
Vejam o que encontrei. Segundo este site o Programa do Governo Federal, iniciado no Governo de FHC, chamado de GESAC (Governo Eletrônico - Serviço de Atendimento ao Cidadão), nao deu muito certo nao. Veja abaixo as conclusões de uma auditoria feita no projeto.
1) só 4% das instituições visitadas apresentavam condições adequadas de acesso à internet, possuindo entre seis e dez computadores instalados;
2) “cerca de 30% das unidades visitadas não provêem acesso à internet”;
3) “em 14% das instituições o acesso à internet se dá em apenas um computador”;
4) onde há computadores, todos adquiridos com verbas públicas, as máquinas, além de “insuficientes”, apresentam “restrições de hardware e de software e estão “desatualizados tecnologicamente”, impossibilitando o aceso à internet por meio de banda larga.
5) detectou-se também a “inexistência de manutenção” dos microcomputadores. O que conduz à “inoperância de equipamentos.”
Eu coloquei essa informação só para voltar ao meu ponto. Um programa de inclusão digital que tem como objetivo apenas o acesso ou só tem consistência no acesso, não se sustenta com o passar do tempo. O resultado é esse que vemos acima.
A comunidade precisa estar envolvida no projeto. O uso do acesso precisa ser relevante para aquela comunidade. É preciso ter o que se chama de capital social onde está sendo instalado o projeto.
bom...vamos andando....
abraço
Vejam o que encontrei. Segundo este site o Programa do Governo Federal, iniciado no Governo de FHC, chamado de GESAC (Governo Eletrônico - Serviço de Atendimento ao Cidadão), nao deu muito certo nao. Veja abaixo as conclusões de uma auditoria feita no projeto.
1) só 4% das instituições visitadas apresentavam condições adequadas de acesso à internet, possuindo entre seis e dez computadores instalados;
2) “cerca de 30% das unidades visitadas não provêem acesso à internet”;
3) “em 14% das instituições o acesso à internet se dá em apenas um computador”;
4) onde há computadores, todos adquiridos com verbas públicas, as máquinas, além de “insuficientes”, apresentam “restrições de hardware e de software e estão “desatualizados tecnologicamente”, impossibilitando o aceso à internet por meio de banda larga.
5) detectou-se também a “inexistência de manutenção” dos microcomputadores. O que conduz à “inoperância de equipamentos.”
Eu coloquei essa informação só para voltar ao meu ponto. Um programa de inclusão digital que tem como objetivo apenas o acesso ou só tem consistência no acesso, não se sustenta com o passar do tempo. O resultado é esse que vemos acima.
A comunidade precisa estar envolvida no projeto. O uso do acesso precisa ser relevante para aquela comunidade. É preciso ter o que se chama de capital social onde está sendo instalado o projeto.
bom...vamos andando....
abraço
Segunda-feira, Janeiro 09, 2006
Gazeta de Limeira - Teus olhos nos acontecimentos
Gazeta de Limeira - Teus olhos nos acontecimentos
Caros amigos,
Aproveitando a vidada do ano, volto a blogar neste blog, até porque volto a futricar, como se diz no Nordeste, o assunto.
Começo com esta notícia de que o programa "computador para todos" do governo federal já está na rua. Não deixa de ser uma boa notícia, num governo tão complicado, para dizer o mínimo, como esse.
abraço,
romulo
Caros amigos,
Aproveitando a vidada do ano, volto a blogar neste blog, até porque volto a futricar, como se diz no Nordeste, o assunto.
Começo com esta notícia de que o programa "computador para todos" do governo federal já está na rua. Não deixa de ser uma boa notícia, num governo tão complicado, para dizer o mínimo, como esse.
abraço,
romulo
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