Segunda-feira, Abril 24, 2006

Among the audience | Economist.com


A revista The Economist, na sua ediçao de 20 de abril, fez uma "pesquisa" sobre a nova mídia, ou seja, os blogs.

O subtítulo da matéria resume o tom do texto:

"The era of mass media is giving way to one of personal and participatory media, says Andreas Kluth. That will profoundly change both the media industry and society as a whole."

O texto só detalha o que já está neste subtítulo. Chegou a "era da participação". Diz a matéria que 57% dos adolescentes americanos criam algum tipo de conteúdo para a Internet, seja vídeo, música, foto, etc.

Mais adiante, o texto comenta (sempre utilizando frases de blogueiros) que as pessoas não mais consomem mídia passivamente, mas participam ativamente dela. O que significa criação de conteúdo, comentários, etc.

O texto vai por aí falando de inteligência coletiva, ferramentas colaborativas, blogosfera e a "era da conversação".

O saldo da materia é que o que vem pela frente é muito bom e só vai fazer bem a todo mundo. A tentação de todos aqueles que estão envolvidos com Internet ou até fazendo um blog como esse, é de dizer ok! a toda essa conclusão. E na verdade não dá para discordar de tudo que está na matéria.

Mas quando olho para o Brasil, a realidade ainda é outra. Antes de comemorar a "era da participação" é preciso lembrar que, para essa participação acontecer, pelo menos três outras coisas precisam estar presentes.

1. Ainda tem muito pouca gente participando dessa história, nem que seja para fazer fotoblog da última balada. Ainda somos muito pouco dentro da rede no Brasil e não dá para falar em revolução na mídia tradicional nem em outras áreas. Ainda que o público participante da rede seja, pelo menos, com bom nível educacional.

2. Participação de verdade, que faça diferença, é consequência de algo anterior, que o sociólogo Pedro Demo chama de "qualidade política", que é a capacidade do indívíduo se fazer sujeito da sua história. Se saber ator importante na trama social e não apenas espectador dela. A quantidade de gente que se acha o máximo porque nao dá a mínima ao debate político é impressionante.

3. Além dos itens acima, ainda é preciso ter um mínimo de habilidade para o uso de tantos recursos e informações disponíveis rede. É preciso habilidade para procurar informação relevante, descartar as bobagens, saber utilizar todas as ferramentas disponíveis, saber analisar o que lê, enfim ser um "analista simbólico" para usar as palavras do Robert Reich no seu livro o futuro do sucesso.

Então, conquanto que seja ótimo esse crescimento de blogs e do aumento de autores na rede, ainda serão necessários alguns incredientes para que as consequências sejam além do econômico e cheguem até a política e ao social.

abraço,
romulo