Quinta-feira, Setembro 28, 2006

Conhecimento e ciber ativismo

Caros,

Mais um pedaço do texto do meu projeto. Seguem dois blocos onde comento sobre a sociedade do conhecimento o impacto das TIC's na participação política.

Desculpem as referências bibliográficas do jeito que está no texto. Se vocês se interessarem por alguma das citações me falem que eu mando a referência completa.

abraço,

romulo


Sociedade do conhecimento

As tentativas de caracterização dessas mudanças sociais na sociedade têm levado a adjetivá-la de “sociedade do conhecimento”, “sociedade da informação”, “sociedade digital”, “sociedade informática”, etc. Nessa sociedade as matérias-primas mais fundamentais, não são as máquinas e equipamentos, mas o conhecimento, fruto do processamento da informação disponível. Daí porque, Castells batiza o conjunto de mudanças socioeconômicas em curso de “capitalismo informacional” e afirma:

“A geração de riquezas, o exercício do poder e a criação de códigos culturais passaram a depender da capacidade tecnológica das sociedades e dos indivíduos, sendo a tecnologia da informação o principal elemento dessa capacidade. A tecnologia da informação tornou-se ferramenta indispensável para a implantação efetiva dos processos de reestruturação socioeconômica”. (Castells: 1999:412)

Isso significa que a importância das TIC’s, como insumo, juntamente com a educação, para a geração de conhecimento, explica não somente as novas configurações sociais, como também promove mudanças que extrapolam os limites da esfera econômica e perpassa a cultura e a política. Na sociedade contemporânea “o conhecimento é valorizado como agente estratégico, não só para a acumulação econômica, mas também para o funcionamento do próprio Estado e da sociedade” (Maciel, 2001: 21-22).

Democracia informacional e ciberativismo

A capacidade de mobilização política nessa sociedade também ganha novos contornos com as TIC’s, pois favorece o surgimento de novos espaços para organização de movimentos sociais. Exemplo disso foi a forma como os movimentos pela justiça global organizaram as manifestações que aconteceram em Seattle, dezembro de 1999 e Washington, em abril de 2000. Aquelas manifestações marcaram uma nova forma de se organizar politicamente.

“Embora muitos tenham observado que os recentes protestos de massa teriam sido impossíveis sem a Internet, o que passa despercebido é como a tecnologia da comunicação que facilita essas campanhas está modelando o movimento à sua imagem e semelhança. Graças à rede mundial de computadores, as mobilizações ocorrem com pouca burocracia e uma hierarquia mínima; o consenso forçado e o os manifestos elaborados desaparecem do cenário, substituídos por uma cultura de troca de informações constante, frouxamente estruturada e às vezes compulsiva.” (Klein, 44)

Surge, portanto, o conceito de “ciberativismo”, ou seja, o ativismo se desenvolve no ambiente virtual e se torna então a marca dos movimentos por justiça global (Prudêncio, 2005) e a “democracia informacional” (Castells, 1999a: 369) ou ciberdemocracia cit_bf( Lévy, 2002)cit_af ref_bf( LPierre 2002 ref_num7)ref_af, ou seja, democracia privilegiada pelo uso da informação e da técnica, tornando-os instrumentos para participação e reivindicação de direitos.

Corroborando com Castells, um estudo divulgado pela Escola do Futuro da USP e pelo programa de inclusão digital “Acessa São Paulo” revela que 32% da população da periferia paulistana utilizam a Internet para buscar dados e planos de governo dos candidatos nas eleições municipais em 2004. A Internet apareceu à frente de jornais e revistas impressas como fonte de informação[1].



[1] IDG NOW. Web é o 3º canal mais acessado por eleitores. Disponível em: http://www2.idgnow.com.br. Acessado em 21/09/2004

Terça-feira, Setembro 26, 2006

As TIC’s na sociedade contemporânea

caros,

nos próximos posts vou publicar alguns pedaços do meu projeto. Aqui vai o primeiro bloco.


As TIC’s na sociedade contemporânea

O final do séc. XX foi marcado por uma revolução tecnológica, considerada no mínimo igual em proporção à revolução industrial, esta revolução é considerada por alguns, como responsável pelos desdobramentos e mudanças no tecido social de forma mais abrangente do que as revoluções anteriores. Convencionou-se chamar o conjunto das tecnologias promotoras dessa nova revolução (da qual me refiro) de Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC’s), definidas como o todo o conjunto convergente de tecnologias de microeletrônicas, computação (software e hardware), telecomunicações/radiodifusão e opto eletrônica (Castells, 2002:67)

A importância dessa revolução se dá pela sua penetrabilidade em todas as esferas da vida moderna. Se, por um lado, ela não determina as mudanças, já não pode ser mais desconsiderada quando se analisa o mundo contemporâneo. A conformação social decorrente ou causadora dessa revolução é marcada por mudanças aceleradas nas formas de produzir bens e serviços; nas relações sociais, na cultura e na política.

Esta revolução tecnológica tem características muito distintas das anteriores. As várias tentativas de descrever a sociedade, na qual se dá esta revolução, destacam o fato de estarmos vivendo um padrão de descontinuidade nas bases materiais da economia, sociedade e cultura, marcado pela TIC’s e pela sua apropriação econômica.

“Pela primeira vez na história a mente humana é uma forma direta de produção, não apenas um elemento decisivo no sistema produtivo” (Castells, 2002:69).

Terça-feira, Setembro 05, 2006

Projeto Qualificado

Update do post abaixo em 19 de julho de 2008: a dissertação já foi concluída e defendida em 2007.


Alô,

Dia 31 de Agosto fiz a qualificação do meu projeto de dissertação. Fui aprovado. Significa que agora tenho carta branca para continuar a pesquisa.

Mais uma etapa vencida. Com muita luta e com a ajuda de muita gente, mais um passo foi dado.

O título da dissetação é (era) " a construção social dos programas públicos de inclusão digital". Mas depois da conversa com a banca, estou pensando em fazer uma pequena mudança para dizer melhor o que eu quero pesquisar.

Talvez eu mude para "a construção social da inclusão digital nos programas públicos".

Dá para notar a diferença?

O que eu quero mesmo pesquisar é a inclusão digital e não os programas públicos. Eles são apenas uma forma de estudar o problema. Não estou avaliando a eficiência do governo em política pública. Quero saber qual é a concepção de inclusão digital que existe nos programas e como essa concepção ou conceito foi construído socialmente.

Bom. Achei importante registrar mais esse passo do mestrado.

abraço,
romulo