Caros,
Mais um pedaço do texto do meu projeto. Seguem dois blocos onde comento sobre a sociedade do conhecimento o impacto das TIC's na participação política.
Desculpem as referências bibliográficas do jeito que está no texto. Se vocês se interessarem por alguma das citações me falem que eu mando a referência completa.
abraço,
romulo
Sociedade do conhecimento
As tentativas de caracterização dessas mudanças sociais na sociedade têm levado a adjetivá-la de “sociedade do conhecimento”, “sociedade da informação”, “sociedade digital”, “sociedade informática”, etc. Nessa sociedade as matérias-primas mais fundamentais, não são as máquinas e equipamentos, mas o conhecimento, fruto do processamento da informação disponível. Daí porque, Castells batiza o conjunto de mudanças socioeconômicas em curso de “capitalismo informacional” e afirma:
“A geração de riquezas, o exercício do poder e a criação de códigos culturais passaram a depender da capacidade tecnológica das sociedades e dos indivíduos, sendo a tecnologia da informação o principal elemento dessa capacidade. A tecnologia da informação tornou-se ferramenta indispensável para a implantação efetiva dos processos de reestruturação socioeconômica”. (Castells: 1999:412)
Isso significa que a importância das TIC’s, como insumo, juntamente com a educação, para a geração de conhecimento, explica não somente as novas configurações sociais, como também promove mudanças que extrapolam os limites da esfera econômica e perpassa a cultura e a política. Na sociedade contemporânea “o conhecimento é valorizado como agente estratégico, não só para a acumulação econômica, mas também para o funcionamento do próprio Estado e da sociedade” (Maciel, 2001: 21-22).
Democracia informacional e ciberativismo
A capacidade de mobilização política nessa sociedade também ganha novos contornos com as TIC’s, pois favorece o surgimento de novos espaços para organização de movimentos sociais. Exemplo disso foi a forma como os movimentos pela justiça global organizaram as manifestações que aconteceram em Seattle, dezembro de 1999 e Washington, em abril de 2000. Aquelas manifestações marcaram uma nova forma de se organizar politicamente.
“Embora muitos tenham observado que os recentes protestos de massa teriam sido impossíveis sem a Internet, o que passa despercebido é como a tecnologia da comunicação que facilita essas campanhas está modelando o movimento à sua imagem e semelhança. Graças à rede mundial de computadores, as mobilizações ocorrem com pouca burocracia e uma hierarquia mínima; o consenso forçado e o os manifestos elaborados desaparecem do cenário, substituídos por uma cultura de troca de informações constante, frouxamente estruturada e às vezes compulsiva.” (Klein, 44)
Surge, portanto, o conceito de “ciberativismo”, ou seja, o ativismo se desenvolve no ambiente virtual e se torna então a marca dos movimentos por justiça global (Prudêncio, 2005) e a “democracia informacional” (Castells, 1999a: 369) ou ciberdemocracia ( Lévy, 2002), ou seja, democracia privilegiada pelo uso da informação e da técnica, tornando-os instrumentos para participação e reivindicação de direitos.
Corroborando com Castells, um estudo divulgado pela Escola do Futuro da USP e pelo programa de inclusão digital “Acessa São Paulo” revela que 32% da população da periferia paulistana utilizam a Internet para buscar dados e planos de governo dos candidatos nas eleições municipais em
[1] IDG NOW. Web é o 3º canal mais acessado por eleitores. Disponível em: http://www2.idgnow.com.br. Acessado em 21/09/2004
