A Cultura do Novo Capitalismo by Richard SennettMy review
rating: 4 of 5 starsRichard Sennett é um sociólogo já conhecido, por suas análises das implicações sociais advindas das mudanças no capitalismo. Veja, por exemplo, outro livro seu "A corrosão do Caráter".
Neste livro, que é uma coletânea de palestras, Sennett, retoma o tema e o revisita quase 10 anos depois, falando das mudanças recentes no capitalismo do final do século XX. Basicamente o livro tem três temas: "como as instituições vêm mudando; qual a relação do medo de se tornar supérfluo ou de ficar para trás com a questão do talento na "sociedade da capacitação"; o que o comportamento em relação ao consumo tem a ver com as atitudes políticas".
O Livro procura mostrar que os valores básicos, apregoados pelos principais atores do mercado capitalista, a saber, trabalho, talento e consumo, como instrumentos para dar maior liberdade ao ser humano, não estão cumprindo o que prometem.
Para Sennett as mudanças na forma como as instituições passaram a ser organizadas acabou gerando um baixo nível de lealdade institucional, a diminuição da confiança informal entre os trabalhadores e o enfraquecimento do conhecimento organizacional. Em resumo uma diminuição no capital social, isto é, na capacidade das pessoas se envolverem com outras numa relação de confiança, para execução de um projeto. Bom, basta olhar para a maioria das grandes corporações em cidades como São Paulo e Rio, para concordar com Sennett.
O que mais me chamou a atenção neste livro foi o segundo capítulo sobre o fantasma da inutilidade que ronda a todos os trabalhadores nesta fase do capitalismo. Seja por causa da oferta global de mão-de-obra (pergunte aos operários americanos..e brasileiros sobre os chineses e indianos), o processo de automação (eu já fui caixa bancário e sei o que é isso) e a gestão do envelhecimento ( é o que estou fazendo neste momento da vida). O Resultado é medo e ansiedade por nunca está atualizado o suficiente.
Por fim, Sennett nos fala sobre o efeito do incentivo ao consumo como forma de sustentação do sistema, que ele chama de "paixão autoconsumptiva", que é uma combinação de intemperança e desperdício. Essa forma de consumir, apregoada pelo players do sistema, se enraízam na forma de mudança cultural e moldam não só a forma como consumimos produtos, mas também como nos comportamos como cidadãos. Nos tornamos consumidores da política como se fosse apenas mais um produto. Nos tornamos mais passivos, aceitamos a política que é de melhor utilização e por aí vai.
Recomendo a leitura deste livro para todos que precisam ou tem interesse no estudo das mudanças que o mundo tem passado desde o século XX, nos campos da economia, tecnologia e cultura. Mesmo para o leitor mais geral, tem muito o que aprender e a se perguntar como estamos lidando com essas mudanças.
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